NOTA DO DCE/UNIR SOBRE A FALÁCIA DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Nas últimas semanas, desde decretada a suspensão parcial das atividades da Universidade Federal de Rondônia, alguns professores e servidores da UNIR tem se posicionado, inclusive por meio de assédio aos estudantes, defendendo o ensino a distância como uma “alternativa viável” para minimizar os danos causados pela pandemia de COVID-19. Pedimos que nos informem qualquer assédio pela adoção do EaD.

Visto o ocorrido em outras universidades onde autoritarismo e utilitarismo tem sido a ferramenta usada para impor tal medida, conclamamos TODOS os estudantes e trabalhadores da universidade a COMBATEREM a portaria 343 de 2020. Assim como 60% das universidades já disseram NÃO a mais esse golpe contra a educação, seguiremos o exemplo e defenderemos nossa universidade e o nosso DIREITO a uma educação de qualidade.

Temos acompanhado os relatos e ações judiciais dos estudantes de faculdades particulares presenciais que estão sendo lesados (e com os quais nos solidarizamos) assim como a luta de boicote travada nas Universidades que descaradamente impuseram o EAD. Basta conhecer minimamente a realidade de nosso estado e condições dos nossos colegas estudantes que se faz notório o caminho da suspensão do calendário como o mais seguro, viável, academicamente coerente e humano. Ao longo da semana divulgaremos série de materiais acerca do tema. 

O Diretório Central dos Estudantes da UNIR entende tal posicionamento em três aspectos: 

O primeiro aspecto é socioeconômico. Os estudantes da UNIR, que são em sua grande maioria pobres, não têm condições materiais mínimas de acesso à internet ou um aparelho eletrônico com um desempenho adequado para que possa acompanhar aulas à distância. Alguns defensores da EaD, pasmem, defendem que os estudantes literalmente “se virem” para conseguir internet gratuita para acompanhar as aulas a distância “de forma plena e produtiva”. Isto significa que aumentaremos ainda mais o fosso que separa os estudantes mais pobres do acesso ao Ensino Superior, acarretando evasão desses estudantes. O ambiente de moradia não é, em geral, um bom ambiente de estudo, em especial para jovens pobres, para os quais uma moradia isolada e silenciosa é algo simplesmente inexistente. Portanto, as aulas presenciais, nas quais os estudantes ficam imersos em um — e apenas um — assunto, são fundamentais no processo ensino e aprendizado.

O segundo aspecto, refere-se ao que de fato representa a EaD. Para os Mercadores da Educação, desde governos anteriores, tal modalidade significava “democratizar o acesso ao ensino superior”. Esta falácia favoreceu a expansão dos Monopólios do Ensino Privado que hoje majoritariamente oferecem cursos de qualidade duvidosa ou mesmo utilizam robôs que substituem os professores, como é o caso de recente denúncia contra a Laureate, monopólio Estadunidense que controla 12 Instituições privadas brasileiras.

E terceiro, justificando uma queda de desempenho das funções de ensino, pesquisa e extensão, que neste período seriam aplicados por esta via, e usando o discurso produtivista de que os problemas da educação brasileira são causados pela ineficiência dos agentes educacionais, seria a “solução perfeita” a abertura parcial das funções administrativas da universidade a iniciativa privada. Adotar o EaD como substituto do ensino presencial poderá comprometer gravemente a qualidade da formação dos profissionais que o país precisa. Os diversos países que usam o EaD, em proporções muito inferiores, o fazem direcionando essa forma de ensino àqueles que realmente não podem ter acesso ao ensino presencial, como prisioneiros, pessoas impossibilitadas de locomoção, aqueles que trabalham em tempo integral etc. No caso do Brasil, os governos de turno atuando de forma criminosa querem impor o EaD a todas as modalidades de ensino, desde a educação infantil à educação superior, aumentando ainda mais as desigualdades do acesso à Educação Pública de qualidade.

Por fim, observamos ainda que tal experiência já foi vista em várias Universidades públicas ao longo de toda a América latina, e nada mais é que o resultado do processo de desestatização da economia latino-americana por meio de processos de privatização, defendidos pelos organismos internacionais que controlam a economia Brasileira, como o Banco Mundial. Tais pontos na verdade são imposições do Banco Mundial e outros Organismos Internacionais para que a Educação Pública passe a ser tratada não mais como um DIREITO, mas como um PRODUTO a ser comercializado. A justificativa para a privatização, conforme o documento “Um Ajuste Justo: Análise da eficiência e equidade do gasto público no Brasil”, divulgado pelo Banco Mundial em 2017, aponta entre outras medidas o receituário para a Educação Pública em todos os níveis: corte de 37% de recursos no Ensino Fundamental, corte de 47% de recursos no Ensino Médio; redução do número de professores da Educação Básica para absorver mais alunos em sala; aumento das atividades de ensino em detrimento a horas de planejamento; fim da obrigatoriedade do investimento de 25% dos orçamentos dos municípios e Estados na Educação, desvinculação dos 18% de repasse da União e, ainda, o fim da gratuidade do Ensino Superior Público. O EaD passa a ser a principal ferramenta para cortar gastos com contratação de professores e infraestrutura.

Desde então, vimos os governos de turno a implementarem essas reformas para atender a tal plano estratégico para a educação defendido pelo Banco Mundial, de forma que a educação esteja plenamente  articulada aos interesses de mercado. Entendendo, portanto, que a implementação do EAD, além de ser criminosa, é a porta de entrada para a privatização da universidade pública, gratuita, científica e a serviço do povo, nós do Diretório Central do Estudantes-DCE/UNIR repudiamos qualquer oferta de modalidade de ensino a distância que substitua a modalidade presencial e conclamamos a comunidade acadêmica que considere as questões apresentadas como decisivas  para o futuro da universidade gratuita.

Pela total revogação do ensino a distância nos cursos presenciais!

Defender a autonomia e gratuidade das Universidades!

Contra qualquer medida de privatização das Universidades!

Em defesa do ensino, pesquisa e extensão públicos e gratuitos!

Porto Velho/RO, 11 de maio de 2020.

                               DIRETÓRIO CENTRAL DOS ESTUDANTES-DCE/UNIR

Gestão Resistir é Preciso!

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